Plantas daninhas: conheça três técnicas de manejo

As plantas daninhas – ou plantas invasoras, são sempre um pesadelo para o produtor rural. Elas se proliferam rapidamente e são extremamente resistentes,  se tornando um verdadeiro problema para os agricultores.

Por isso, se você deseja se livrar dessas folhagens e garantir um solo livre de prejuízos, é essencial entender melhor sobre o que deve ser feito para conter esse dano. E, felizmente, estamos aqui para te ajudar nessa tarefa. Veja abaixo como elas podem invadir sua propriedade e quais medidas tomar para contê-las.

O que são plantas daninhas?

Plantas daninhas são plantas que competem com as plantas cultivadas por água, luz e nutrientes. Além disso, estas plantas são hospedeiras de pragas, doenças e nematoides, aumentando o custo da produção ou até mesmo perdas na plantação.

Principais plantas daninhas do Brasil

O Brasil está entre os maiores produtores agrícolas no mundo. Somente na cultura da soja, em 2019, foi responsável por 32,3% da produção mundial. Essa alta produção se dá por diversos fatores climáticos, de solo e outros que são extremamente favoráveis. No entanto, esses fatores também favorecem o crescimento das diversas espécies de plantas daninhas.

Segundo alguns especialistas, existem um total de 200 espécies diferentes de plantas daninhas no mundo. Apesar desta grande variedade, algumas delas atuam de maneira mais agressiva em determinadas culturas.

Confira abaixo uma lista das principais plantas daninhas que afetam as lavouras no Brasil:

Apaga fogo (Alternanthera ficoidea)

  • Características: Planta anual ou perene, dependendo das condições, herbácea, prostrada ou ascendente, de 0,5 a 1,2 m de comprimento, nativa do Brasil (Lorenzi, 2000).
  • Propagação: As sementes são lisas e brilhantes, de cor castanho-amarelada a castanho-avermelhada. Alastra-se por enraizamento dos nós em contato com o solo.
  • Observação: Trata-se de uma planta daninha de importância crescente na agricultura, devido ao aumento recente de sua infestação. Atualmente, é mais frequente na região do Brasil-Central. Quando são feitas queimadas para renovação de pastagens, a massa úmida dessa planta daninha dificulta a progressão do fogo, advindo, assim, o nome apaga-fogo (Kissmann & Groth, 1999).
  • Principais culturas afetadas: soja, cana de açúcar, milho, arroz, arroz irrigado e algodão.

Caruru (Amaranthus viridis)

  • Características: Planta anual, herbácea, glabra, de 30-50 cm de comprimento e 30-40 cm de altura (Lorenzi, 2000). Desenvolve bem da primavera ao outono na região meridional do Brasil.
  • Propagação: As sementes são lisas e brilhantes. Propaga-se apenas por sementes.
  • Observação:  É ocasionalmente consumida na forma de saladas e refogados.
  • Principais culturas afetadas: é uma daninha de grande importância, principalmente quando está presente em lavouras perenes (cafezais, pomares e canaviais), devido à condição de sombreamento e maior teor de matéria orgânica destes locais. Pode ser encontrada também em terrenos baldios e lavouras anuais, geralmente em solos de boa fertilidade e em condições de sombreamento.

Buva (Conyza spp.)

  • Características:  A Conyza bonariensis possui cerca de 40-120 cm de altura, nativa da América do Sul (Lorenzi, 2000). As suas folhas apresentam margens lisas ou minúsculos dentes. A Conyza canadensis possui cerca de 80-150 cm de altura. Suas folhas apresentam margens denteadas.
  • Propagação: Propagam-se por sementes de fácil dispersão pelo vento.
  • Observação: Existem duas espécies de maior importância no Brasil que são Conyza bonariensis e Conyza canadensis. São espécies anuais, herbáceas, de caules densamente folhosos. Biótipos de buva foram cientificamente confirmados como resistentes ao herbicida Glyphosate no Brasil (Vargas et al., 2007).
  • Principais culturas afetadas: feijão, soja, girassol, cana de açúcar, algodão, arroz, arroz irrigado e pastagens.

Guanxuma (Sida glaziovii)

  • Características: Planta anual ou perene, de 30-80 cm de altura, nativa do Continente Americano (Lorenzi, 2000). É uma planta daninha frequente em áreas cultivadas do Brasil. O caule possui grande capacidade de rebrota (Kissmann & Groth, 2000).
  • Propagação: Propaga-se por meio de sementes.
  • Observação: Infesta principalmente lavouras anuais, perenes e pastagens. É bastante encontrada também em cultivos de cereais, no sistema de semeadura direta.
  • Principais culturas afetadas: infestante em culturas anuais, pomares, eucalipto, cafezais e terrenos desocupados, é frequente na cultura da cana de açúcar.

Quais são as 3 principais técnicas para manejo de plantas daninhas?

Existem vários métodos que podem ser adotados por aqueles que desejam acabar com a presença das plantas daninhas em um espaço. A princípio, somente a rotação de culturas já pode colaborar para um bom resultado. Entretanto, é necessário que toda a plantação passe por alguns cuidados, a fim de evitar prejuízos e colaborar para o desenvolvimento de um plantio muito mais saudável.

A seguir, listamos algumas técnicas para que você comece a adotá-las desde já. Papel e caneta na mão? Então anote aí:

1. Prevenção

Sem dúvida, o melhor caminho para driblar um problema é, simplesmente, evitar o seu surgimento. E com a presença das plantas daninhas isso não é diferente. Aqui, a primeira sugestão é que os responsáveis pelo plantio evitem a disseminação dessas espécies vegetais, reduzindo assim o seu impacto inicial.

Entre as medidas mais indicadas para essa finalidade, é válido destacarmos a inspeção de sementes e mudas, que deve ser rigorosa do começo ao fim. Nessa etapa, verifique se os insumos adquiridos são provenientes de fontes seguras e confiáveis, ou seja, livres de plantas daninhas. Ainda, é importante checar se há sinais de infestação antes mesmo de introduzi-las na área que será cultivada. Não se esqueça!

Obviamente, o processo de prevenção não acaba por aí. Ao longo dos cuidados, é necessário fazer o controle de acesso da plantação. Nesse sentido, o ideal é restringir a circulação de pessoas e animais nas áreas infestadas por plantas daninhas. Com tal atenção, será possível impedir a disseminação de sementes, bem como a propagação das folhagens indesejadas.

Por último, a higiene do local deve estar em dia. Dito isso, procure fazer com que os equipamentos agrícolas e as ferramentas de jardinagem estejam sempre limpos e desinfetados, ainda mais, se forem utilizados em espaços infestados pelas ervas daninhas. Desse modo, você conseguirá evitar a transferência de sementes ou de fragmentos dessas plantas para novas áreas, impedindo que outros espaços também sejam atingidos.

2. Controle mecânico

O controle mecânico é realizado por meio de alternativas físicas, a fim de controlar e eliminar a presença das plantas daninhas em uma área de plantio. Na maioria das vezes, essa sugestão é indicada para os espaços menores ou que estejam em um estágio inicial da infestação.

Já entre as técnicas utilizadas para essa finalidade, destacamos a famosa capina manual — que consiste em arrancar as ervas daninhas pela raiz, interrompendo, assim, o seu crescimento. Nesse momento, é importante que o responsável pela atividade consiga remover toda a planta daninha, sem deixar nenhum vestígio, evitando que ela volte a se desenvolver no mesmo ambiente.

Fora isso, existe a possibilidade de recorrer ao mulching para garantir o controle mecânico das plantas invasoras. Aqui, a aplicação de uma cobertura morta, feita com palha, grama ou casca de árvore, pode ajudar a bloquear a germinação das sementes daninhas, além de colaborar para reter a umidade presente no solo.

3. Controle químico

Para finalizar a seleção de técnicas que combatem as plantas daninhas, temos o controle químico — uma opção recomendada para os locais com infestações severas, bem como as áreas em que outros métodos já foram aplicados e não causaram efeitos positivos.

De todo modo, é fundamental utilizar esse recurso com cuidado, seguindo as instruções dos fabricantes dos produtos e considerando os seus impactos ambientais. Uma boa sugestão é procurar por herbicidas que possam ser aplicados para combater as ervas invasoras, mas sem interferir na saúde e no desenvolvimento das espécies desejadas.

Conclusão

As plantas daninhas são consideradas um dos maiores problemas da agricultura atual. Não somente por competirem com as plantas cultivadas, como também por serem hospedeiras de diversas pragas e doenças. Além disso, por serem plantas consideradas pioneiras, as plantas daninhas possuem uma efetiva capacidade de propagação. Principalmente, mas não somente, por meio de sementes.

Hoje, sabe-se que existem muitas espécies de plantas daninhas e que cada uma reage de maneira diferente com relação à cultura afetada. Ademais, cada região, clima, solo, cultivos entre outras coisas, define qual planta daninha germina em uma determinada lavoura. Para concluir, não existe uma receita de bolo, é preciso realizar uma identificação adequada e somente a partir daí, escolher o melhor método de manejo. Salientando que o ideal é sempre consultar um Engenheiro Agrônomo.

FONTES:

Broto – blog.broto.com.br

Agromove – blog.agromove.com.br/

 

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Adriano Lopes

Publicitário, fascinado por comunicação, marketing e como essas duas coisas transformam realidades e pessoas. Responsável pelo marketing da Igarapé – New Holland. Apaixonado por filmes, música, aprender e compartilhar conhecimento com o resto do mundo.

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